Minha casa, meu trabalho: organizações adotam home office permanente

Imagine a possibilidade de morar e trabalhar na cidade dos seus sonhos, mais perto da família e da natureza, afastado do trânsito difícil e da violência urbana. A realização desse ideal ficou mais perto para muitos profissionais durante esse período de pandemia quando o home office permanente se transformou numa tendência no mercado de trabalho, adotado por empresas como Microsoft, Twitter, Airbnb, American Express, Google, Zillow, agora de modo permanente.

O co-fundador da Confraria do Empreendedor Diogo Garcia, por exemplo, já está em Salvador há alguns meses. Baiano, ele aproveitou o que seriam alguns dias de quarentena para vir à capital baiana fazer uma visita, mas a estadia se prolongou. “Sou executivo de uma empresa em São Paulo e, frente ao atual cenário de pandemia, como ainda não há uma previsão concreta de retorno aos escritórios, tenho passado alguns meses em Salvador trabalhando de forma remota”, conta, ressaltando que a estadia está sendo muito salutar. 

“Para mim tem sido uma experiência excelente, não apenas por estar mais próximo da família e amigos, como também pude me conectar mais, ainda que de forma remota, com o ecossistema de inovação e startups local, que tem apresentado um crescimento interessantes nos últimos anos”, disse sem esquecer os benefícios de estar numa cidade litorânea, ainda que considerando todos os protocolos de saúde e segurança necessários adotados.

Qualidade para viver
A especialista em marketing e RH, a Sócia-Diretora da Véli RH, Margot Azevedo salienta que a busca por qualidade de vida, especialmente num período tão delicado, tem sido comum no exterior e no Brasil. “As pessoas as estão buscando mais qualidade de vida, estão se voltando para o autoconhecimento e para estarem mais próximos de ambientes e daqueles que têm relação com o que acreditam”, ressaltando que a proximidade com a natureza se transformou em artigo de luxo e muito desejado, assim como ir em busca do seu próprio propósito. 

Para ela, poder trabalhar em casa favorece o equilíbrio da vida pessoal com o trabalho, dentre outros benefícios. “Acredito que as empresas mais de vanguarda vão aderir ao modelo, de forma permanente, para todas as áreas e funções onde o mesmo seja possível. Empresas mais conservadoras, devem permitir o home office de forma mais limitada, um rodízio, por exemplo”, projeta. Margot lembra, no entanto, que existem modelos e segmentos onde essa forma de atuar não será possível tão cedo, como os hospitais, produção no chão de fábrica (não automatizada), dentre outras.

Apesar de aproveitar a experiência, Garcia reconhece que é prudente considerar que ainda se vive a pandemia e que os planos de retorno aos escritórios físicos podem ser revisados a todo instante. “Acompanho startups e empresas de todo o Brasil que testaram o modelo remoto de trabalho e seus times se adaptaram muito bem a este formato. No entanto é preciso considerar a área de atuação dos profissionais – quem atua na área de Vendas, por exemplo, muitas vezes precisa do contato presencial, o que ficou comprometido neste momento”, avalia. 

Formas híbridas
Para o empresário, as formas híbridas de trabalho ganharão espaço não apenas no mundo como também no Brasil. “Tenho visto também que, profissionais que atuam mais no ‘back office’ (retaguarda) têm sido contratados em qualquer lugar do país, o que traz flexibilidade para quem quer trabalhar de uma cidade como Salvador, por exemplo”, defende. Para ele, além de remoto, temporário também, essa possibilidade alia a vantagem de trabalhar por um período numa cidade agradável, com opções de lazer, gastronomia, custo de vida mais em conta quando comparado a outras grandes capitais brasileiras. “É uma nova experiência que pode resultar inclusive em maior produtividade”, completa.

Diogo Garcia diz que as empresas já realizam um movimento de investir em tecnologia para dar suporte ao trabalho e a gestão remota de equipes, a exemplo das videoconferência para acompanhar a produtividade e entregáveis dos profissionais. Para ele, é importante que, nesse modelo, o profissional estabeleça rotina com horários bem definidos, alinhando sempre um bom fluxo de comunicação com seus times, além de estar sempre bem conectado com o que acontece em sua empresa e no mercado em que atua. “No home office não pode falhar a comunicação. Times que trabalham de forma remota, em função do contato virtual, devem prezar pela boa comunicação a fim de evitar quaisquer ruídos. E isto requer um esforço ainda maior dos líderes para gerenciar seus times e manter viva a cultura do negócio”, afirma.

Margot Azevedo salienta que o home office e o presencial exigem compromisso, ética, responsabilidade e profissionalismo. “Há uma falsa sensação de que é mais fácil, de que há mais liberdade mas…não é bem assim. Você precisa saber lidar muito bem com essa “liberdade”e agir mais corretamente do que nunca. Lembre-se que ser profissional é fazer o certo quando ninguém está olhando”, finaliza.

Fonte: Correio 24 Horas

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